14/04/2010

Os tempos mudaram mesmo. E agora Ela está aprendendo a usar o computador.
Há duas semanas ficou feliz por já saber digitar o próprio nome.
Hoje disse que me escreveu uma carta:
"Querida filha, estou com saudades. Beijos, te amo."
Mas pelo que Ela me disse, não foi uma carta tão simples assim como descrevi.
A carta começou com Rio de Janeiro e data.
Outro fator importantíssimo foi que Ela deu "enter", então não ficou tudo numa linha só,
o palitinho desceu e ela continuou escrevendo. É bem verdade que Ela pediu uma ajuda pro professor pra finalizar a carta com um ponto final, mas "precisa ver", já aprendeu a dar espaço entre uma palavra e outra, só demora ainda pra achar as letras. Ah, teve uma outra coisa que Ela disse que eu já ia me esquecendo. Quando Ela escreveu "te amo", sem querer esqueceu o tal do espaço. Mas como o professor mandou Ela salvar logo - que aliais "salvei direitinho", como Ela mesmo colocou - deixou a carta com o "te amo" junto.

Não faz mal. Eu mando mudar a nossa língua e faço do "te amo" uma palavra só.
Mas Ela riu tanto só de lembrar do pequeno erro - acho que achou engraçado quando leu a palavra colada - que vou deixar o português assim mesmo, só pra ouvir aquela gargalhada que só Ela dá, toda vez que se lembrar.

Talvez eu nunca veja essa carta, mais foi algo de mais lindo e sincero. Dessas coisas que se dão na vida e julgamos pequenas. Mas merecem total destaque, por mais clichê que esse meu discurso pareça.


"Rio de Janeiro, 13 de abril de 2010

Querida filha,
estou com saudades.

Beijos. Teamo"